Você tinha gosto de saudade. Lembro bem que quando te apertei contra mim, senti quase que um soco da falta que fez. Os olhos lacrimejaram e a cabeça abaixou. Foi automático. Há tanto tempo te quis assim… Há tanto tempo imaginei nós dois juntos. E aí, depois de tanto esforço, tanta nostalgia, tantas noites de insônia, me aparece um dia assim. Você batendo na porta. Você me fitando. Você me dizendo tudo aquilo que eu sempre quis ouvir. “Não era pra ter acabado daquele jeito, e eu fui um idiota por ter deixado isso acontecer”. Eu te abracei e prometi a mim mesma que nunca mais ia te deixar voar com suas próprias asas. Eu queria que fôssemos um só. Queria que estivéssemos tão dependentes mentalmente e fisicamente um do outro que doeria tirar um tempinho apenas para pensar na hipótese de estar longe. Eu queria ter a necessidade de te ver todos os dias, ainda que soubesse o mal que isso poderia causar. Estar com você valeria à pena, não é? É… Só porque era você. Só porque você era o cara mais atrapalhado e inconsequente do mundo, e mesmo assim eu sempre estaria ali pra te segurar e soltar um “eu te avisei, não avisei?”. Porque você adorava me irritar de um jeito que ninguém nunca adorou, então eu passei a adorar quando me irritava também. E eu nunca estive tão bem com alguém, se esse alguém não fosse você. E sempre seria você. Independente de qualquer coisa. Do meu mau humor matinal, da minha tpm ou dos meus problemas aleatórios. Eu gostava até dos seus defeitos, e se isso não era amor, eu sinceramente não sei o que poderia ser. Tem noção do que é pensar em uma única pessoa durante todos os dias, horas, minutos e segundos de dois meses? Tem noção do que é se entregar completamente a uma coisa tão sem fundamento como o nosso futuro? Nunca fomos seguros, você sabe. Nunca tivemos certeza, nunca andamos sem sequer ter em mente a teoria do que fazer depois de um tropeço. E depois de tantas quedas, tantos ralados de joelho e tentativas falhas, você estava ali, não estava? Depois de tudo (ou o nada) que tivemos (ou não tivemos), você apareceu na minha frente e disse que deu saudade. Deu saudade das madrugadas com diálogos intermináveis e deu saudade até das brigas sem motivo. E eu só lembro que a única coisa que eu quis dizer foi que sim, eu também senti saudade. Eu também te amava e eu também estava disposta a fazer de tudo pra que seguíssemos em frente. Eu lembro bem como seu beijo tinha um gostinho de esperança. Lembro direitinho como suas roupas tinham cheiro de “dessa vez eu não vou desistir da gente, e isso é uma promessa''.

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